segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Ana Beatriz e Maria, amigas para sempre

Mesmo sem nunca ter se expressado por palavras, a Ana encontrou um meio de se comunicar conosco através do olhar e, principalmente, do sorriso.
Sempre que gostava de algo ou de alguém, mostrava-se alegre, 
interessada, querendo pegar o objeto ou a pessoa.
Quando não gostava de algo, simplesmente fazia que não via, ou largava da mão. Simples assim. 
Para falar a verdade, nos entendíamos tão bem e de uma forma tão natural, que não notávamos a falta de palavras para saber o que a Ana queria.

No seu aniversário de um ano de idade, preparamos uma linda festa. O tema era circo e o salão estava todo decorado. Reunimos nossos familiares e nossos amigos para comemorarmos esta data tão importante.
Festa de aniversário de um ano

Neste dia a Ana recebeu vários presentes, mas uma boneca chamou mais atenção. Era uma boneca pequena, de corpo de tecido cor-de-rosa e rostinho de borracha.
Esta é a Maria, amiguinha da Ana
A Ana se encantou com a boneca. Chamamos a boneca de Maria e a partir daquele dia nascia uma linda amizade. Em todos os momentos, ela estava brincando com a Maria e quando dormia, ficava abraçada com ela.
Nas internações hospitalares, sempre que autorizados, levávamos a Maria para fazer companhia para a Ana Beatriz.
Nos dias em que tínhamos que lavar a Maria e colocá-la no sol para secar a Ana ficava impaciente, procurando a boneca. Olhava para nós como quem dizia, cadê minha amiga? Quando trazíamos a Maria de volta, seca e cheirosa , o sorriso já estava no rosto, os olhos brilhavam e o sentimento de alegria e tranquilidade por ter novamente a verdadeira amiga nos braços. Se a Ana falasse iria dizer : “ Estava com muita saudade de você! “.
Ana Beatriz com sua amiga Maria
Depois de muito tempo de companhia e brincadeiras, a Maria foi se deteriorando. As mãozinhas estavam rasgando, a roupa descosturando. 
Pensamos em comprar uma nova Maria. Procuramos nas lojas e encontramos uma bem parecida, o mesmo tom de rosa, corpo de pano e rosto de borracha. Essa era uns 10 cm maior. 
Foi marcante o olhar da Ana para esta nova boneca. Passou alegria pela nova amiga mas o olhar nos dizia, vocês querem me enganar, eu sei quem é a minha amiga Maria. 

Então, estava na hora de levar a Maria para um hospital de bonecas, para consertar os estragos. 
Teria que ser algo rápido, para a Ana não ficar muito tempo sem a Maria. 
Conversamos com duas amigas nossas que têm o dom da costura e elas toparam em consertar a Maria para nós. Tudo estava combinado, o conserto iria acontecer durante o sono da tarde. 

E foi assim que fizemos. A Ana dormiu e rapidamente peguei a Maria e levei para a Juliana e a Dona Irtes Belli fazerem o conserto para nós. 
Caso a Ana acordasse, a outra boneca foi colocada no lugar da Maria. 
Elas consertaram o que foi possível e devolveram a Maria no mesmo dia. Imagina a felicidade da Ana quando viu a Maria chegando.
Os olhos brilharam, um sorriso largo surgiu no rosto e ela agarrou a Maria com toda força e com todo amor.
A Maria ficou com a Ana até o final da vida e foi embora com ela quando a Ana nos deixou. Devem estar juntas brincando.
As duas sempre juntas
O que a Ana nos ensinou com isso? 
A aceitar as condições que nos apresenta e viver da melhor forma todos os dias. Mostrou que não é preciso muito para ser feliz, basta dar valor para as coisas simples da vida, acordar com um sorriso, valorizar os pequenos momentos e procurar ver o lado positivo de tudo e de todos.
Também nos mostrou a importância da amizade. A amizade faz bem para o coração e para a saúde. Afinal, os amigos tornam mais fácil a superação dos problemas, nos acolhe, nos afasta da solidão, nos faz rir e nos aconselha quando é necessário.
A Ana tinha a Maria como sua companheira e amiga. E nós, estamos sabendo viver com simplicidade e cultivar nossas amizades? 
Aos que tem filhos, conseguem perceber do que o filho realmente gosta? 

Que possamos pensar nisto.

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