domingo, 17 de fevereiro de 2019

O Tempo passa…

Como o tempo passa rápido! Quando percebemos, passaram-se horas, dias, meses, anos. É comum comentarmos que a cada ano, a vida passa mais rápido e que não damos conta de todos os nossos compromissos. Parece que o tempo está mais acelerado do que antigamente. Quando éramos crianças parecia que o ano demorava mais para terminar. Como demorava para chegar o Natal não é?
Um sorriso que não tem preço

Falamos sobre o tempo, porque o sentimento que temos hoje é que o tempo passou rápido demais. Foram quase 11 anos de convivência com a Ana Beatriz. Tantas lutas, tantas conquistas, tantas alegrias, algumas tristezas. Momentos que temos guardados em nossas memórias e em nossos corações. Revendo as fotos desde a gestação até momentos mais atuais, conseguimos reviver situações, relembrar sentimentos, matar a saudade.

Amanhã são dois anos da partida da Ana. Às vezes temos a sensação que já faz tanto tempo que ela partiu e, em certos momentos, ainda parece mentira. É uma mistura de sensações, lembranças e sentimentos que tivemos que aprender a conviver e trabalhar nestes últimos dois anos.

A saudade de tê-la fisicamente conosco é grande, mas a certeza que ela está bem é maior. O sentimento que fizemos o melhor que pudemos para que ela tivesse uma vida digna, cercada de cuidados e, principalmente, tratada com todo o nosso amor e nosso carinho, nos conforta e nos dá força para seguirmos adiante.

A Ana, com suas limitações, sem expressar nenhuma palavra, com a doçura no olhar e com um sorriso no rosto, mesmo nos momentos mais difíceis de sua breve vida, nos ensinou a sermos verdadeiros, fortes, a encararmos os desafios que a vida nos apresenta com dignidade, com justiça, com bondade. Ela nos ensinou que devemos valorizar cada momento de nossas vidas, não deixando para amanhã o que pudermos fazer hoje.

A Ana nos ensinou que se tivermos vontade de abraçar alguém, que abracemos hoje. Se tivermos vontade de falar com alguém, que falemos hoje. Se estivermos precisando de ajuda, que tenhamos humildade e coragem de pedir. Vamos nos lembrar que o tempo passa e passa rapidamente e que não temos a certeza de como será o amanhã. Vamos viver intensamente o presente. Vamos aprender a escutar os nossos sentimentos.

Hoje temos a certeza que além deste encontro virtual, podemos fazer muito mais.
Em breve teremos novidade. Estamos criando um grupo de apoio a pessoas que perderam algum ente querido e que queiram, através de um bom diálogo, enxergar todo aprendizado obtido e compartilhar com os demais suas experiências. Assim que definirmos data e local, iremos divulgar aqui no blog e nas nossas mídias sociais.

Entendemos que juntos podemos nos fortalecer ainda mais para construirmos uma vida cheia de boas lembranças e novas oportunidades.
Saudades...

Caso você se sinta a vontade, deixe a sua opinião ou me chame inbox.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Uma aventura por um medicamento

Na postagem de hoje vamos compartilhar com vocês uma situação que vivemos a 9 anos atrás, aonde a Ana nos ensinou o que é ter coragem e determinação.
Ana, uns dias antes da internação
Era começo de fevereiro de 2010 e as convulsões da Ana descompensaram. Foi necessária mais uma internação. Desta vez foi no Hospital Santa Catarina em Blumenau. Quando isso acontecia, ela necessitava de medicações mais fortes para que conseguisse sair do ciclo de convulsões descontroladas. O nosso neurologista após avaliar a evolução da Ana, sugeriu aproveitarmos a internação hospitalar para realizar a troca da medicação de forma segura.
Ana e Morgana no hospital
Porém, o novo medicamento, Keppra, não era vendido no Brasil. Naquela época era comercializado na Europa, Estados Unidos e Argentina. Como precisávamos rapidamente trazer este medicamento para iniciar o tratamento, entramos em contato com algumas pessoas e conseguimos organizar uma operação para buscá-lo no local mais próximo, ou seja, na Argentina. Era uma quinta-feira, final da tarde, e o Marcos embarcou em Navegantes e partiu para Córdoba na Argentina. No dia seguinte, já estava de volta. A maior alegria foi ver o Marcos entrando no quarto do hospital aonde a Ana se encontrava, com um largo sorriso no rosto, trazendo o medicamento solicitado. Ficamos muito felizes por ter conseguido realizar este desafio e permitir que a Ana pudesse realizar a troca do medicamento. Nada era garantido, porém, não deixamos de tentar. Após alguns dias, o medicamento começou a fazer efeito, amenizando a quantidade de crises convulsivas diárias. A Ana tomou este medicamento até o final da vida. Por alguns anos importamos o Keppra diretamente da Europa, através da Fundação Rubem Berta. No final de 2015, finalmente, foi autorizada a fabricação e venda deste medicamento aqui no Brasil, facilitando o acesso e diminuindo consideravelmente o preço.

Hoje, lembrando deste episódio, nos divertimos com os detalhes da aventura de fazer um bate-e-volta ao exterior para comprar um medicamento. Mas, naquela época estávamos extremamente preocupados, tanto com a viagem, quanto com o resultado do novo tratamento.

Contamos este episódio para mostrar que todos nós somos capazes de enfrentar os desafios que surgem em nossas vidas. O importante é não desistir na primeira dificuldade, mas sim, enfrentar com foco, confiança, determinação e coragem.