domingo, 27 de janeiro de 2019

O Tempo

Ah o tempo… como passa rápido. Parece que foi ontem que estávamos iniciando um novo ano e já estamos quase chegando em fevereiro. Às vezes, nem percebemos que o tempo passou e acabamos perdendo oportunidades em nossas vidas. Oportunidade de aprender algo novo, de ensinar algo para alguém, de ajudar alguém que precisa, de viver. Acho muito importante, darmos uma parada, refletirmos tudo o que aconteceu nas nossas vidas, agradecer pelos momentos e planejar o que pretendemos fazer de agora em diante.

Hoje tiramos o dia para pensar em tudo o que vivemos nos últimos 12 anos e percebemos quanto aprendemos, quanto crescemos, quanto nos transformamos neste período.

As fotos registram momentos que vivemos e nos ajudam a viajar no tempo e voltar lá, naquele dia, naquela hora e reviver a emoção que tivemos. Olhando as inúmeras fotos que temos de praticamente todos os momentos que vivemos com a Ana, relembramos as brincadeiras, as gargalhadas, as músicas, os banhos, as papinhas, os passeios de rede e os passeios de carro.

Quanta saudade, quantas lembranças, quantas alegrias. Tínhamos uma rotina igual a qualquer família e tudo voltou em nossa mente, como se fosse hoje.

Parece que foi ontem, mas foi no dia 19 de abril de 2006, às 21h40 que nasceu nossa pequena Ana Beatriz. Estávamos efetivamente iniciando a experiência na escola dos pais.

Os primeiros dias de aula foram de muitas descobertas. Aprendemos uma linguagem nova de comunicação através de sorrisos, olhares, choros, enfim, tudo normal.

Seguimos aprendendo nas matérias normais, quando, aos 4 meses, iniciamos uma nova matéria, o estudo da epilepsia.

Foram 10 anos de busca de ajuda e de dedicação. Não trabalhávamos na área da saúde e tudo para nós era novidade. Medicações, exames, médicos especialistas, enfim, esse aprendizado continuou até a partida da Ana.

Desde cedo nossa rotina era de controle das medicações, administração das 6 alimentações diárias, hora do banho, troca de fraldas, etc
Hora do banho
Hora da mamadeira
Ficávamos preocupados e angustiados nos momentos que a Ana apresentava crises convulsivas. Mas, seu sorriso depois da crise aliviava este sentimento.

Com o passar dos anos, mais algumas atividades foram incluídas: exercícios de fono (para fortalecer a musculatura da deglutição evitando a bronco-aspiração), fisioterapia respiratória, controle do oxigênio, ministrar alimentação via sonda, etc

Além disso, mais medicações foram associadas totalizando 7 tipos de anticonvulsivantes por dia, ministrados de 12 em 12 horas. Usávamos uma tabela para auxiliar-nos nos horários.

Em algumas destas atividades dependíamos do auxílio de um profissional, mas muitas coisas aprendemos a fazer sozinhos.

Quanto ao banho da Ana, no período em que ela andava e depois quando passou a usar cadeira de rodas, conseguíamos locomovê-la até o banheiro. A partir do momento que ela precisou usar oxigênio e já estava bem grande, o banho era na cama. Para lavar o cabelo usávamos um lavatório portátil que posicionávamos na cabeceira da cama, facilitando a lavagem e no pescoço colocávamos aquelas almofadas de viagem embrulhadas em filme de pvc para não molhar e deixar mais confortável para a Ana.
Lavando os cabelos na cama. Nesta foto, sem a almofada no pescoço
Foi no hospital que aprendemos a dar banho na cama e aqui fica uma dica para quem cuida de pessoas acamadas: usar cama hospitalar com a cabeceira removível para facilitar a lavagem do cabelo.

O interessante é que com tantas atividades, ainda conseguíamos tempo para cuidarmos de nós. Tínhamos tempo para fazer uma leitura, assistir a um filme, receber amigos em nossa casa e fazer passeios curtos. Isso era possível devido ao aproveitamento que fazíamos de cada minuto que tínhamos e pela ajuda que recebíamos nos cuidados com a Ana. Os avós maternos, Alda e Ari, nos ajudaram a cuidar da Ana e permitiram que nós pudéssemos seguir com nossa vida profissional e pessoal.
Ana com seus avós Alda e Ari
Olhando para trás temos a impressão que determinados dias as horas se multiplicavam.

Temos a certeza que fizemos tudo o que era possível para o bem estar da Ana e, consequentemente, o nosso. Isso que nos conforta e nos dá força para continuar.

Hoje, sem a Ana Beatriz, estamos reaprendendo a viver e ocupar o nosso tempo com outras atividades, para que o vazio não nos faça desperdiçar este bem tão precioso que temos.

O bom aproveitamento do tempo, multiplica as possibilidades que temos.

E você, como está aproveitando o seu tempo? Pense nisso! Veja se há algo que você pode mudar para aproveitar melhor cada minuto, se é preciso pedir ajuda a alguém para auxiliá-lo nas tarefas que precisa cumprir. Enfim, aproveite o seu tempo da melhor maneira.

Um comentário:

  1. Como eu amo ler essas postagem
    Poise o tempo e uma boa reflexão sobre nos mesmo
    Muitas vezes eu esqueço. De tirar um temço pra mim
    Vou dar uma freiada nos afazeres
    Mais uma liçao🙌🙌🙌👏👏👏👏

    ResponderExcluir