segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Los Amigos

Mesmo antes da chegada da Ana Beatriz, eu e o Marcos sempre fomos muito fechados, sem muitas amizades, vivendo um para o outro. Depois que a Ana chegou e posteriormente surgiram os seus problemas de saúde, acabamos nos fechando ainda mais. Vivíamos focados na função de cuidar do bem estar da Ana e tínhamos a ideia de que não teríamos tempo disponível para cultivar amizades, nos encontrar com pessoas para conversar e distrair. 

Com o passar do tempo, aprendemos que deveríamos mudar este comportamento e nos tornamos pessoas mais abertas, mais sociáveis e assim conquistamos muitos amigos que nos dão força e compartilham conosco todos os momentos, sejam felizes ou não. 
Ana Beatriz, acompanhada da Maria e da Girafa
Neste post queremos contar como foi que começamos uma amizade verdadeira com um grupo de pessoas que hoje consideramos como nossos irmãos.

Um certo dia, recebemos uma mensagem da Patrícia, que na época era uma conhecida nossa, nos convidando para irmos na casa dela para bater um papo, distrair um pouco. No início achamos estranho, pois, nunca havíamos tido um contato mais próximo com a família, mas aceitamos. E lá fomos nós três para o encontro. Fomos recebidos com muito carinho pelo Bira, pela Patrícia e o filho deles, o Miguel. Nos sentimos muito bem, ficamos um bom tempo conversando e ali nascia uma grande amizade.

Não parou por aí, logo em seguida entraram em nossas vidas a Sílvia, o Ivan e a filha deles, a Martina. Foi como ter reencontrado amigos que não víamos a muito tempo. A empatia foi instantânea e continuamos unidos até hoje.

Um tempo depois deste encontro a Ana foi internada na UTI do Hospital Pequeno Anjo de Itajaí. Como não era permitido permanecer com ela, íamos todas as tardes visitá-la e receber o boletim médico. Numa das tardes, ao chegarmos no estacionamento próximo ao hospital, ouvimos alguém chamando os nossos nomes. Para nossa surpresa, era o Bira, que estava em Itajaí e aproveitou para fazer uma visita e nos dar um abraço. No final de semana seguinte foi a Sílvia e o Ivan que apareceram no hospital para dar força para nós. A Patrícia também conseguiu entrar no hospital passando-se por minha irmã. Isso nos marcou muito.

Passado este período complicado da internação da Ana Beatriz, voltamos para Brusque e continuamos a nos encontrar com frequência, para conversar, rir, chorar, confraternizar. Desta forma nossa amizade se fortalecia. No início nos reuníamos cada vez na casa de um dos casais. Mais tarde, quando ficou mais difícil locomover a Ana de casa, decidimos concentrar os encontros em nossa casa.
A alegria estampada no rosto
Mais tarde a Morgana Cunha e o Cristiano Braz vieram completar o nosso grupo de casais. 
Los Amigos reunidos

Chamamos o nosso grupo de "Los Amigos" e, para nos divertir, fizemos festas temáticas: alemã, mexicana, espanhola, italiana, árabe, etc.
Festa de máscaras

A Ana adorava sempre que a casa estava cheia de amigos. Ria com as brincadeiras das crianças e prestava atenção em tudo.
Mesmo na cama, a Ana estava sempre presente
Os Los Amigos aumentaram com o nascimento do Igor e do Nikolas. Vimos nossos filhos crescerem juntos, sem preconceitos e fortalecerem seus laços de amizade. 
Somos uma família, um olhando pelo outro, um torcendo pelo outro.
Mesmo quando não estamos juntos fisicamente, temos a certeza de poder contar um com o outro, seja para o que for. Esse é o real significado da amizade. 
No momento da partida da Ana, foi muito importante para nós estarmos rodeados de todos os amigos que ela nos trouxe. Foi um momento difícil que a presença e o abraço de cada um fez toda a diferença.

Escrevemos este texto, primeiro, para agradecer a estes amigos, verdadeiros irmãos que temos, e em segundo para reforçar a importância da amizade e do companheirismo.

Como diz o poeta John Donne "Ninguém é uma ilha em si mesmo. Cada um é porção do continente, uma parte do oceano".

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