domingo, 20 de janeiro de 2019

Cumplicidade...

Ser feliz no amor é o desejo de quase todos nós. Muitas pessoas nos perguntam qual o segredo para manter um casamento por tanto tempo, afinal, eu e o Marcos já estamos casados a mais de 22 anos. Mesmo não existindo uma fórmula pronta ou uma receita mágica, algumas atitudes podem manter o relacionamento a dois mais saudável e tornar as relações mais dinâmicas e felizes. Creio que a cumplicidade e o companheirismo são os principais pilares que sustentam um casamento. Desde o início sempre decidimos tudo juntos em comum acordo. Claro, que muitas vezes discutimos, nos desentendemos, mas depois conseguimos voltar a nos entender. Isso é completamente normal.

A conversa também é importante num relacionamento a dois. Sempre conversamos sobre tudo, e quando digo tudo, é tudo mesmo. O que gostamos, o que não gostamos, o que temos dúvida, o que estamos pensando, como estão os nossos sentimentos, enfim, tudo tem valor. A conversa olhando um no olho do outro, ajuda a fortalecer o casamento e a superar qualquer situação. Hoje, em certos momentos, nem precisamos falar, basta uma troca de olhares, que já sabemos o que o outro está pensando. Estamos sempre em sintonia.
Enfeite da porta do quarto na maternidade
Com a chegada da Ana em nossas vidas, continuamos a decidir tudo juntos, Algumas decisões foram muito agradáveis e divertidas. A escolha do nome, das roupas, dos brinquedos e brincadeiras. Outras, foram bem mais complicadas e que, de algum modo, acabaram aumentando ainda mais a nossa união e a nossa cumplicidade.
Aguardando a chegada da Ana Beatriz
Uma das primeiras decisões mais difíceis que tivemos que tomar foi a parada das sessões de fisioterapia motora que a Ana fazia desde pequena. O objetivo era fazer a Ana retornar a caminhar após um longo período de internação, mas notamos que as crises convulsivas aumentavam após o término das sessões. Ela estava com 5 anos e meio e, depois de muito conversarmos e refletirmos, decidimos parar com as sessões. Notamos que após a parada da fisioterapia motora, a Ana ficou mais tranquila e as convulsões diminuíram. Sabíamos que, desta forma, a Ana teria que usar cadeira de rodas. Primamos pela qualidade de vida dela e temos a certeza que tomamos a decisão correta.
Ana Beatriz na cadeira de rodas. Sempre com um sorriso...
A decisão mais difícil que tivemos que tomar, foi no dia em que a médica responsável pelos cuidados paliativos do Hospital Santa Catarina de Blumenau, solicitou para que nós dois pensássemos, antecipadamente, em todos os detalhes do dia da despedida da Ana. O objetivo era para que, quando o dia chegasse, já tivéssemos tudo organizado, nos deixando livres para viver o momento sem outras preocupações. Ficamos com a Ana na UTI e ali mesmo, choramos juntos, pensamos em tudo o que a médica falou, conversamos muito sobre a situação e fizemos o que ela sugeriu, decidimos cada detalhe do dia que, provavelmente, seria um dos dias mais tristes de nossas vidas. A Ana melhorou e voltou para casa, mas, seis meses depois, ela precisou voltar para o hospital e depois de alguns dias, serenamente, partiu.
Ana e seus amiguinhos. A simplicidade era sua marca
A Ana nos ensinou que, com união e cumplicidade, podemos vencer quaisquer desafios. Nos ensinou que a simplicidade traz muitas alegrias às nossas vidas e que o ser é muito mais importante do que ter.

2 comentários:

  1. Como eu aprendo com tuas postagem Morgana
    Eu fico imaginado vc e o Marcos discutindo🙈
    A Ana veio ensinar muito nao so a vcs mais a todos de a conheceram ,e os que nao tiveram esse prazer esta ensinando com tuas postagem eu so uma delas adoro todas e me emociono sempre
    O mais importante e ser e nao ter realmente ❤❤❤❤🙌🙌🙌🙌🙌

    ResponderExcluir
  2. Adoramos receber retorno das postagens. Muito obrigada!!O blog é justamente para compartilhar todo aprendizado que tivemos com a Ana. Todas as postagens são feitas com muito carinho por mim e pelo Marcos. Fuqye conosco.Bjs

    ResponderExcluir