domingo, 9 de dezembro de 2018

Um dia de cada vez ...


A insegurança fazia parte do nosso dia a dia, pois, como não tínhamos uma definição médica sobre o caso da Ana, não sabíamos como seria a sua evolução. A descoberta era diária. Este sentimento fez com que aprendêssemos que tínhamos que viver e aproveitar cada dia e que cada dia era uma vitória para nós.

Nos deixava feliz cada pequena conquista. Caminhar sozinha, prestar atenção num desenho na TV, se entreter com um brinquedo ou até mesmo com a embalagem do lenço umedecido com o qual se divertia por horas, parar tudo o que estava fazendo ao ouvir o carro do papai chegando na garagem. 

A Ana nunca falou, se comunicava pelo olhar, com pequenos sons e principalmente com o sorriso que cativava a todos que a conheceram.

A simplicidade era a sua marca. Com um simples abrir de fecho, ganhávamos de presente um sorriso verdadeiro que nos contagiava.


Sempre procuramos buscar alternativas e tratamentos que pudessem auxiliar a Ana no seu desenvolvimento e numa melhor qualidade de vida.

Desde os primeiros meses a Ana frequentou a Clínica Uni Duni Tê, aonde era estimulada em vários aspectos e aprendeu a conviver com várias crianças. Foi ali que começamos a ter contato com fisioterapia, fonoaudiologia e ouvimos falar sobre a Equoterapia (é um método terapêutico e educacional, que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem multidisciplinar e interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiências e/ou necessidades especiais). Descobrimos que em Itajaí havia uma clínica instalada numa fazenda que oferecia esta terapia. A Ana adorava os cavalos e ficava muito feliz ao estar montada em um deles. Evoluiu muito durante este período e somente paramos com a Equoterapia quando as convulsões voltaram a ficar descontroladas deixando a Ana mais debilitada. 

Neste período também procuramos outras opiniões médicas sobre o caso da Ana. Tivemos algumas consultas em Curitiba com um neuropediatra e uma consulta em Porto Alegre, com o neuropediatra considerado o papa da epilepsia no Brasil. Também procuramos um geneticista para pesquisarmos o caso da Ana Beatriz. Foram feitos inúmeros exames e a resposta era sempre a mesma. Por incrível que pareça, os resultados sempre eram de uma criança “normal”, apesar de toda a dificuldade que Ana passava. Com o passar dos anos vimos que o mais importante não era saber o que Ana tinha, mas proporcionar a cada dia, o melhor dia que ela pudesse ter. 

Escrevemos este texto para mostrar que embora a situação que você vive pareça sem solução, busque alternativas, converse com pessoas que podem te ajudar, troque ideias e experiências, utilize cada momento como um aprendizado e não desista nunca. O importante é estar certo de estar fazendo o melhor para quem você ama.

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